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Vereadora De Campina É Acusada De “Invadir” Cmei E Caso Pode Parar Na Comissão De Ética Da Câmara

Uma atitude considerada pelos vereadores de Campina Grande do Sul como “invasão” a um CMEI – provocada pela vereadora Nilceia Falavinha (PROS) – foi o assunto mais comentado em plenário durante a sessão da Câmara Municipal dessa segunda-feira (26). Os vereadores Anderson Cardoso (PSD), Carol Mascarenhas (PSB) e o vice-presidente, vereador Felipe Veiga (PSD), se manifestaram repudiando a conduta da parlamentar.

Mesmo não comentando o assunto publicamente durante a sessão, os demais vereadores demonstraram descontentamento com a atitude da vereadora. Alguns em conversa com nossa reportagem afirmaram que existem formas e procedimentos para fiscalizar, mas não se pode criar pânico e fazer politicagem do cargo legislativo.

O caso em questão ocorreu na sexta-feira (23), quando Nilceia Falavinha, acompanhada de um desconhecido, adentrou as dependências do CMEI Glacy Dalprá de Macedo, na Sede, sob a justificativa de fiscalizar a compra e o fornecimento dos alimentos oferecidos às crianças da unidade de ensino. A parlamentar fez filmagens e fotos do local onde os itens alimentícios são armazenados. Segundo informações dos próprios parlamentares, o acompanhante da vereadora seria um dos fornecedores locais que havia perdido uma licitação para aquisição da merenda escolar municipal.

A Guarda Civil e a Polícia Militar chegaram a ser acionadas pela vereadora, o que não só chamou a atenção dos moradores, como causou preocupação nos pais das crianças matriculadas no local. Diante da movimentação de viaturas no entorno do CMEI, vários pais ligaram para a unidade de ensino em busca de informações do que havia acontecido. Conforme consta na ocorrência registrada pela PM, a vereadora foi orientada pelos policiais a acionar a Vigilância Sanitária e demais órgãos competentes para investigação das supostas irregularidades.

Assunto Foi O Mais Comentado Pelos Vereadores Durante A Ultima Sessao Vereadora De Campina É Acusada De “Invadir” Cmei E Caso Pode Parar Na Comissão De Ética Da Câmara
Assunto foi o mais comentado pelos vereadores durante a última sessão. Foto: Adilson Santos / Jornal União

Na perspectiva dos vereadores, a atitude da parlamentar colocou em risco a atividade escolar e o caso deverá acarretar em medidas administrativas podendo, inclusive, ir parar na Comissão de Ética da Câmara assim que o Legislativo Municipal retornar do recesso parlamentar previsto para o dia 7 de agosto.

“Me preocupa quando colegas vereadores e vereadoras começam a usar o revanchismo político, da politicagem, como prática de trabalho. Espero que a Prefeitura, junto a Procuradoria, tomem as devidas providências. Espero que essa Casa não deixe isso passar e provoquem todas as Comissões pertinentes à essas ações para que elas sejam corrigidas e disciplinadas”, explanou o vereador Anderson Cardoso (PSD) em seu pronunciamento.

Endossando a fala do parlamentar, a próxima a comentar o caso foi a vereadora Carol Mascarenhas (PSB). “Faço minhas as palavras do vereador Anderson. Que a gente venha a colaborar um com os outros e não façamos politicagem. E no momento que for descoberto ações de qualquer um que seja, que atitudes cabíveis sejam tomadas”, defendeu a vereadora Carol.

O vice-presidente da Câmara Municipal, vereador Felipe Veiga (PSD), também fez duras críticas à Nilceia Falavinha e considerou como “cara de pau” a forma que a vereadora conduziu a situação. “Na semana em que tivemos duas mortes de alunos causadas por ataque de um ex-aluno à uma escola, nós tivemos uma parlamentar desta Casa que invadiu um CMEI, utilizando falsas prerrogativas, induzindo os funcionários do local a acreditar que ela tinha esse direito, quando na verdade ela não tem! O parlamentar, o vereador ou seja ele quem for, não tem o direito de adentrar qualquer prédio público com o pretexto de fiscalização, existem protocolos pra que isso ocorra”, iniciou o vereador.

Além da confusão que a vereadora teria causado no CMEI, com a movimentação da Guarda Municipal e da PM, outro fator apontado por Felipe Veiga foi a parlamentar levar um desconhecido para dentro da escola. “Essa parlamentar permitiu a entrada de uma pessoa que não tem relação alguma com o legislativo ou executivo. Isso foi abuso de autoridade, no mínimo! Essa Câmara, bem como nossa Mesa Diretiva e suas Comissões, precisam tomar providências”, explanou.

O que diz a vereadora

Em seu pronunciamento na sessão, Nilceia Falavinha justificou dizendo que recebeu uma denúncia em relação à merenda oferecida no CMEI, pois no local haveriam alimentos que poderiam colocar em risco a saúde das crianças. “Tem coisas que parecem óbvias, mas precisam ser ditas. Recebi uma denúncia de produtos que não deveriam ser comercializados no município e que estavam sendo oferecidos na rede municipal de ensino”, iniciou.

Nilceia confirmou a sua ida ao CMEI e tratou o caso como um processo de vistoria. “Fizemos uma vistoria no local para constatar se, de fato, o produto foi entregue. Agora estou dando os encaminhamentos para que o Conselho de Alimentação Escolar tome conhecimento do assunto para que possamos ver quem tem a responsabilidade e quem errou nesse processo. Pode ser que tenha indícios de irregularidades na aquisição desses produtos”, disse.

Procurada pelo Jornal União, a vereadora Nilceia Falavinha afirmou que faria um “pronunciamento fundamentado” sobre o ocorrido. Aproveitamos para enviar perguntas à legisladora, entre elas, sobre quais irregularidades ela constatou no CMEI e se a mesma teme sofrer sanções administrativas da Câmara ou da Prefeitura. No entanto, até o fechamento desta reportagem ela não havia respondido as indagações.

Pag. 3 Nilceia Falavinha Disse Ter Ido Ao Local Averiguar Uma Denuncia Sobre Merenda Escolar Vereadora De Campina É Acusada De “Invadir” Cmei E Caso Pode Parar Na Comissão De Ética Da Câmara
Vereadora De Campina É Acusada De “Invadir” Cmei E Caso Pode Parar Na Comissão De Ética Da Câmara 4 Vereadora De Campina É Acusada De “Invadir” Cmei E Caso Pode Parar Na Comissão De Ética Da Câmara

Secretaria Municipal de Educação garante que não há irregularidades

Nossa reportagem buscou, ainda, um posicionamento da Secretaria Municipal de Educação sobre a denúncia apresentada pela parlamentar. Através de nota, a Secretaria afirmou que solicitou a Procuradoria do município tomar as providências cabíveis referente ao caso, e justificou que a pasta “há muitos anos mantém o maior cuidado e controle com itens da merenda escolar, nunca sendo objeto de qualquer questionamento”. A nota também afirma que: “a alimentação oferecida aos alunos é de qualidade e até o momento não foi constatada nenhuma irregularidade pelos órgãos fiscalizadores”.

O Jornal União segue acompanhando o caso e deixa o espaço aberto para esclarecimentos dos envolvidos.

Confira o vídeo do pronunciamento dos vereadores:

Foto: Google Street View.

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