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Residente em Campina Grande do Sul, Manoel Soares da Silva, de 91 anos, nasceu em Minas Gerais, passou pela região Noroeste do Paraná e morou em Curitiba.

Pai de quatro filhos, dois homens e duas mulheres, trabalhou boa parte da vida como operador de caldeira, mas também se dedicou em construir e reformar casas pela região. Aliás, as primeiras residências do bairro em que vive hoje, o Santa Fé, foram erguidas por ele.

Na função de operador de caldeira, trabalhou com os mais variados tipos de equipamento: aqueles movidos à lenha, a óleo e o térmico. Conta seu Manoel que certo dia ele foi ajustar uma borra microbinana – peça responsável pela injeção da caldeira – quando o equipamento estourou em seu rosto. Sua visão nunca mais foi a mesma desde então. Foi submetido a cirurgias em hospitais famosos para reverter o quadro, mas sem muito sucesso e não conseguiu justiça por causa de um contrato. As sequelas maiores foram no olho esquerdo e foram agravadas por uma catarata.

Seu Manoel recorda que quando chegou em Campina Grande do Sul, na década de 70, quando tinha 42 anos de idade, o povo de sua cidade natal dizia: “La no sul cai neve, cai pinheiro!” e ele não acreditava. Pois no primeiro ano que ele se acomodou, caiu neve e tudo que falavam se confirmou, foi a primeira do Paraná, a neve de 76. Enquanto estava residindo em Curitiba, havia recebido um convite da Família Ferrarini a se mudar para o município na esperança de uma vida melhor. E foram os “Ferrarinis” que o ajudaram nessa transição – inclusive – com o transporte da mudança até Campina Grande do Sul. Quando chegou onde hoje é o Santa Fé, diz ele que encontrou um grande “campão”, se tornando o primeiro morador do bairro que cresceria muito nas décadas seguintes.

Assim que chegou em Campina, Manoel conseguiu um emprego como frentista em um posto de combustível não muito perto de casa, às margens da BR-116, em Colombo. Não demorou muito e surgiu a oportunidade dele adquirir o próprio terreno. Naquela época comprar um pedaço de terra era bem mais fácil e barato, mas para quem tinha dinheiro. Surgiu um local que lhe chamara a atenção e conseguiu parcelá-lo em duas vezes.

Morou por 30 anos ali até se mudar para o atual endereço, mas todo mundo lembra-se de sua mercearia-bar que fez com a ajuda da esposa, Dona Nazaré – hoje com 83 anos – um grande sucesso e o deixou muito feliz. O local muito frequentado – o entra e sai de pessoas era constante – até a chegada de um telefone público em frente ao estabelecimento que infelizmente atraiu pessoas mal intencionadas que passaram a utilizar o equipamento para comercializar drogas. “O telefone público acabou com tudo. Tivemos que parar nossas atividades, pois estava ficando perigoso”, lamentou- se ele.

Sempre buscando ter uma renda extra, assim que os vizinhos começaram a chegar, seu Manoel se propôs a construir as residências para os novos moradores. “Eu cobrava bem baratinho. Ergui muita casa por essa região. Teve até casa que construi onde hoje é o Jardim Paraná (Colombo)”, conta.

Seu Manoel sempre teve talento para desenhar, desenhou diversos projetos de caldeiras. Enquanto sua visão era saudável, desenhava para os netos no tempo livre. Hoje seu Manoel está aposentado por idade depois de muito lutar por seus direitos. Suas funções são mais tranquilas e focadas nos afazeres de casa, limpar uma coisa ali outra aqui.

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