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Essa poderia ser mais uma história de luta contra o câncer de mama no mês em que mais se fala sobre o assunto, o Outubro Rosa, mas é sobretudo, um exemplo de fé e superação. Servidora pública de Campina Grande do Sul, Nocimara Martinez, 52 anos, descobriu a doença em maio de 2020 e iniciou seu tratamento no Hospital Angelina Caron, no mesmo município.

Moradora da cidade, Nocimara aceitou compartilhar sua história como forma de contribuir e alertar, principalmente as mulheres, a terem o autocuidado e realizarem os exames necessários. Na maior parte dos casos, quando descoberto precocemente, o câncer de mama é curável, e as chances de recuperação chegam a 95%. 

O câncer de mama é causado pela multiplicação desordenada das células da mama. Esse processo gera células anormais que se multiplicam, formando um tumor. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem mais lentamente. Esses comportamentos distintos se devem às características próprias de cada tumor.

Segundo conta Nocimara, a descoberta do câncer em sua mama esquerda se deu através do autocuidado, que ela rotineiramente fazia em casa. “Sempre costuma fazer o autoexame. Certo dia após o banho, ao me tocar senti um pequeno caroço bem abaixo do mamilo. Esperei ainda uma semana na esperança que ele desaparecesse, mas ele não sumiu. Foi então que procurei orientação médica”, revela.

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A Descoberta Do Câncer Em Sua Mama Se Deu Através Do Autoexame. Foto: Dirlei Adadd / Jornal União

Todo o tratamento de Nocimara foi custeado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Lei nº 12.732/2012 estabelece que o paciente com neoplasia maligna tenha acesso ao tratamento público no prazo de até 60 dias, a partir da data em que for firmado o diagnóstico em laudo patológico ou, em prazo menor, conforme a necessidade terapêutica do caso.

No caso de Nocimara, após os exames solicitados foi constatado que se tratava de uma neoplasia maligna. “O tumor tinha um centímetro e meio. Fui informada que precisava fazer uma cirurgia e quem sabe sessões de radioterapia e quimioterapia posteriormente”, conta.

Após a cirurgia para retirada do nódulo, Nocimara foi orientada a iniciar sessões de radioterapia, ao todo ela passou por 16 sessões. O procedimento é um tratamento no qual se utilizam radiações ionizantes (raio-X, por exemplo), um tipo de energia direcionada, para destruir ou impedir que as células do tumor aumentem. Essas radiações não são visíveis e cada pessoa reage de uma forma diferente ao procedimento.

As reações adversas sentidas por Nocimara durante o tratamento foram principalmente na região da garganta. Ela conta que começaram a surgir feridas que pareciam tomar conta de toda a região do esôfago. “Foi muito difícil pra mim esse processo. Não podia me alimentar direito, sentia dor ao engolir as coisas e as refeições se baseavam em líquidos praticamente, como água de coco, sucos, dependendo do suco tinha que diluir, pois eram ácidos e acabam por irritar ainda mais a garganta”.

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“O Tumor Tinha Um Centímetro E Meio. Fui Informada Que Precisava Fazer Uma Cirurgia E Quem Sabe Sessões De Radioterapia E Quimioterapia Posteriormente”, Conta. Foto: Dirlei Adadd / Jornal União

Terminando as sessões de radioterapia, Nocimara passou para a próxima etapa: a quimioterapia. Foram mais seis meses de tratamento. A quimioterapia consiste na ingestão de medicamentos extremamente potentes, que ao se misturarem com o sangue, são levados para todas as partes do corpo com o objetivo de destruir, controlar ou inibir o crescimento das células doentes.

Nesse processo os efeitos colaterais normalmente resultam na queda de cabelo, o que pra Nocimara não foi uma tarefa nada fácil. “Sofri muito com a perda dos cabelos, acredito que isso pra nós mulheres é como se tirasse um pedaço de nós, já que temos o cabelo como a moldura do nosso rosto”, conta.

Não bastasse a perda de cabelo, que interferiu diretamente em sua  autoestima, Nocimara enfrentou também outros efeitos colaterais da medicação, como a perda dos dentes. “Sorrir é a marca registrada de qualquer pessoa e ver meus dentes caindo foi algo terrível. O cabelo a gente sabe que vai nascer de novo, mas os dentes não. Fiquei apavorada!”.   

Nocimara conta que procurou ajuda odontológica de sua confiança para tratar o caso e ela pudesse voltar a sorrir. “A doutora Lorena da Pivovar já me acompanhava há algum tempo, ela viu meu desespero e me acalmou dizendo que iria resolver o problema. Ela retirou parte da minha dentição e colocou implantes no lugar”.

O diagnóstico de qualquer tipo de câncer não afeta somente o paciente: ele abala toda uma família e até amigos próximos. A importância da família no tratamento do câncer de mama de Nocimara foi fundamental para que ela pudesse enfrentar a doença. “Fiquei muito fragilizada com tudo que ocorreu. Foi difícil lidar com minhas emoções. Por mais que minha família estivesse sofrendo junto comigo, meus filhos e marido se mantinham fortes ao meu lado. Isso foi muito importante para eu conseguir me manter em pé”.

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O Apoio Do Marido E Dois Filhos Foi Fundamental Para Que Nocimara Enfrentasse A Doença. Foto: Dirlei Adadd / Jornal União

Além do apoio direto da família e dos amigos, a espiritualidade de Nocimara foi primordial no enfrentamento da doença. Católica, ela revela que sua fé a ajudou na recuperação de sua saúde, aliviou a dor e o sofrimento causados pela doença, além de representar esperança em relação à cura. “Agradeço muito a Deus e a intercessão de Nossa Senhora que me carregou no colo em todos os momentos. A ordem do meu progresso se deve primeiramente a Eles, segundo à minha família e terceiro os meus amigos que nunca me deixaram”.

Hoje Nocimara continua o tratamento por prevenção, só que tomando uma medicação com efeito colateral menor. Com base na experiência nada agradável que ela vivenciou, Nocimara deixa uma mensagem de alerta e de recomendação a todas as mulheres. “Quando recebi a notícia que estava com câncer, naquele momento foi como uma sentença de morte pra mim, eu pensava que iria morrer. Mas depois fui entendendo que tem cura, mas pra isso é importante sempre o autocuidado. O recado que deixo é esse: façam o autoexame, se toquem, se conheçam, se abracem. A descoberta logo no início salva vidas”, conclui.

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