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Atrasos de salários e irregularidades na contratação de funcionários pode fazer com que as atividades da churrascaria Boi Black, em Colombo, tenham desdobramentos na Justiça do Trabalho. Um grupo de ex-funcionários do estabelecimento procurou o Jornal União na última semana para fazer a denúncia.

A Churrascaria Boi Black é uma das mais conhecidas na região de São José dos Pinhais, e desde meados de junho do ano passado alugou o ponto comercial em Colombo, situado às margens da BR-116, onde funcionava o antigo restaurante Bella Vista. A expectativa do empreendimento era expandir as atividades da churrascaria já popular na outra cidade para os demais municípios da região metropolitana.

Segundo os ex-trabalhadores, os problemas com atrasos no pagamento foram recorrentes e se iniciaram em outubro de 2022. Mesmo não estando mais exercendo as atividades no local, os ex-funcionários relatam que ainda não receberam os salários atrasados e os valores das rescisões e alguns se viram obrigados a pedir demissão pela falta de pagamento.

Uma ex-colaboradora, que pediu para não ter o nome divulgado, relatou como se iniciaram os atrasos. “Entrei assim que a churrascaria foi inaugurada. O primeiro salário veio certinho, o segundo já começou a atrasar. Em outubro quando quase todo mundo saiu – muita gente desanimou – fui readequada em outra função, mas não mudaram a categoria na carteira. Entreguei minha carta de demissão em janeiro, saí de lá sem receber o salário de dezembro, o 13ª e metade do mês trabalhado”, revela a ex-funcionária, que propôs até um acordo para regularizar a situação. “Fiz a proposta para que me pagassem parcelado parte do valor que me devem, mas não obtive resposta. Arrumei outro emprego e nem a baixa na minha carteira fizeram até hoje”.

Ainda conforme as denúncias, entre elas de funcionários que ocupavam cargos de confiança, o dono da churrascaria está devendo para diversos colaboradores, além de fornecedores. “Ele está devendo para muita gente, fornecedor, funcionário. Tem pessoas que ainda estão trabalhando lá e que não receberam seus salários. Tem ex-colegas meus que ainda não receberam. Falam que vão nos pagar, mas só ficam nos enrolando”, desabafou um dos ex-trabalhadores.

Outro ex-funcionário, que também pediu para não ter o nome publicado, disse à nossa reportagem que durante a contratação houve muitas promessas, mas assim que começaram as atividades nada foi cumprido. “Vim de outro estado pra tentar uma oportunidade aqui. Me prometeram muitas coisas, entre elas que eu iria crescer com a empresa. Disseram que todo 5º dia útil seria o pagamento. Depois estenderam para o dia 10, 20, 25 e nada. Resolvi sair por isso!”.

Funcionários fazem ‘mêsversário’ para protestar contra atraso de salários

O grupo de ex-funcionários revelou também que fazia uma espécie de greve para lembrar o “mêsversário” do atraso dos salários. Conforme o relatado à nossa reportagem, os trabalhadores se organizavam para faltar em um dia da semana em forma de protesto. A iniciativa era recebida com críticas por parte da direção do estabelecimento. “Falavam pra gente que quem não fosse trabalhar não iria receber, que se fizéssemos aquilo iria ser pior pra gente. Éramos praticamente obrigados a trabalhar de graça pra eles”, relata um deles.

Uma das denunciantes disse que espera uma solução para o caso. “Ninguém quer nada além do que nosso direito. A gente não trabalha pra bonito, a gente trabalha pra ter dinheiro e ter condições de pagar as nossas contas em dia. Já procurei um advogado trabalhista e ele me orientou a esperar mais um pouco. Dei um prazo para que a empresa resolvesse, e se até lá nada acontecer, vou entrar com a causa”, conclui.

O que diz a Boi Black

O Jornal União entrou em contato com a direção da churrascaria Boi Black. O responsável pelo estabelecimento, que se apresentou como Ari, se defendeu das denúncias e afirmou que as informações repassadas pelos ex-funcionários não condizem com os fatos e que alguns exageraram nas suas colocações.

Segundo ele, a empresa passa por um período de dificuldade financeira e que vem buscando acertar os pagamentos dos colaboradores que se desligaram recentemente. Indagado sobre o que teria provocado tais dificuldades, Ari disse que o ponto comercial está com pouco movimento e que isso também tem relação com a má gestão de ex-funcionários que passaram pelo local. “Fomos obrigados a reduzir o número de colaboradores. Infelizmente, tivemos uma má gestão de pessoas que gerenciavam o ponto. Quanto aos colaboradores que saíram, estou apto a recontratá-los futuramente quando as coisas melhorarem”, disse.

Perguntando sobre a informação de que não somente ex-colaboradores, mas também os atuais funcionários não estariam recebendo seus salários, Ari também afirmou que a informação é inverídica e que todos estão com os pagamentos em dia.

O gestor também afirmou que fará um investimento na estrutura do empreendimento nos próximos dias e que durante o período a churrascaria permanecerá fechada. “Iremos dar uma pausa de 20 dias para uma reforma na fachada do prédio e ampliação do espaço. Vamos reorganizar as coisas e reabrir em breve com novidades”, conclui.

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